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Posts de Maio, 2008

DO PÓLEM DAS MÃOS EM FLOR
(PARA VIVER UM GRANDE AMOR)
“Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.”*
Para viver um grande amor, preciso primeiro é fazer-se despido, levar nos olhos o sorriso de quem não flerta com a dor. Para viver, [...]

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“Deixo tudo assim
não me importo em ver a idade em mim,
ouço o que convém.
Eu gosto é do gasto.”*
Receita médica no spa das fugas:  Acupuntura, agulhas milimetricamente posicionadas nos bloqueios das contas impagáveis. Litros de silicone para preencher o amor bebido. Botox para paralizar velhas expressões. Ansiolítico para o bruxismo das preocupações fantasmas. Drenagem linfática a desreter afetos [...]

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A porta das escolhas se colocava à sua frente assim, múltiplas maçanetas no trabalho da madeira encerrada. Era preciso segurar uma com dedos e palma, no aperto firme mover-lhe em abertura. Cada uma a seu modo, material, segredo, sentido. Cada qual com uma possibilidade de caminho distinto. Uma ou outra por engano parecida. Uma ou outra em [...]

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Burla-Bula

Dias confissionais bulinam. Alguém tem reza forte contra o vírus dos insights desastrosos?
Qual o santo dos sentimentos urgentes? Antibiótico. Streptococcus da presença multiresistente.
Confissões perigosas. Que fazer com o que a vida revela escondido na pálpebra da querência?
Vacina. Chacinar princípios naturais. Vidrinho rotulado do ser assado. O tempo é homeopático.
Seu Doutor, não achei cafuné em nenhuma farmácia.

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FEMINININHA
Vê, não me chamo Maria.
Nem Amélia, nem Lira,
nem gata no cio.
Sou coisa simples,
mulher em seu pluri-oficício.
Não, não vou ficar velha.
A cada dia mais poesia.
 
O SARCASMO DA LÍNGUA
Quanto vale, seu moço, um punhado dessa especiaria?
Advérbios? Quantos pra que te leve os adjetivos?
Ah, fechado, vocábulos graves, de semânticas agudíssimas!
Vai bem seu tempero no meu substantivo…
 
O PLURAL DA [...]

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Eu sei, você não se deslocou até aqui para sentar na minha frente e ouvir o velho blablablá de todo o sempre lançado por qualquer boca. Eu sei, eu sei, não precisa me olhar com esses olhos de mistério, nem estufar o peito como se tivesse prestes a receber uma notícia mortal, ah!, nem esse sorriso guardado como se [...]

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Se cair a frente uma isca interessante, morda.
Não vá na ilusão da isca ser qualquer outra grande coisa,
escolha pela escolha de quem escolheu a isca
e deixe que o escolhedor pesqueiro te recolha.
Quando te deitar os olhos sedentos e abrir a boca,
abra a boca, pegue com as escamas. Antropofagize.
Te pegou na rede vira peixe.

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Uma música e o suficiente. Toda dança dos corpos e nunca o suficiente. Uma música, o suficiente, toda a memória acorda, todo o exercício do não desatino cái por terra e a presença dele me cobra o não limite das vísceras. Sem um contra-tempo a arte do não se importar e seguir evapora. Sem uma [...]

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Os dedos trêmulos de noite. O inverno e sua seca na boca. Non atos.
O mistério do não querer entender. O ver, inevitável, da falta de ausência clara.
Um livro há de forçar a ler o que já está ali, suspenso, escrito em si sem dizer.
Ninguém escapa, solidão é silêncio de sentido em qualquer gente.
“A mulher e [...]

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