Repara como a poeira tem gosto pelas entranhas das coisas. E como esconde o brilho da naturalidade do que encobre. Se uma camada deita sobre outra e sobre outra e outra, por fim, o que se sabe do que tem ali? Coisa nenhuma endurecida? Não conheço ninguém que queira ter no centro da mesa, esticado na [...]
Posts de Abril, 2008
Das sacudidelas
Publicado em De Estrada e terra em Abril 30, 2008 | 1 Comentário »
“si sonríes, yo te miraré”
Publicado em Vento na retina em Abril 30, 2008 | 1 Comentário »
BEM-VINDA AOS RISCOS DOS PRECIPÍCIOS, era a legenda abaixo dos olhos dele, que ela assim interpretava na entrelinha daquilo que estampava ao título A POSSIBILIDADE DAS COISAS MÚTUAS. Mas se havia precipício, bem sabia, não era um trampolim ao corpo dele que a levaria, mas no ato do saltar qual armadilha ela não se criaria. [...]
190
Publicado em De Estrada e terra em Abril 28, 2008 | Deixar um comentário »
Eu pela calçada a sol a pino no miolo do Rio,
um homem dobra a esquina, uma arma na mão.
Ele correndo, eu abaixando a cabeça
com o pedido infantil: fica invisível, fica invisível.
Ele na minha direção, diminuindo a proximidade física.
Eu com o coração aos pulos, gelada, cada passo mais gelada.
Quando não se tem para aonde fugir, faz-se [...]
Dos interiores do interior
Publicado em Vento na retina em Abril 28, 2008 | Deixar um comentário »
Subiu a rampa de barro molhado que atravessa o jardim. Fechou o portão no escuro, já senhora do caminho. Retomou à varanda aonde mesas serviram refeições durante o dia. Com a cozinha limpa e a luz apagada, respirou o fim do trabalho. Sentada no banco de tronco de árvore, os dedos sobre a toalha quadriculada acariciavam o [...]
Do ato de entrelinhar 1
Publicado em Tear de páginas em Abril 27, 2008 | 7 Comentários »
“Simplicidade é artifício recolhido, dobrado, alisado a ferro. Leveza aérea daquilo que foi corrigido e passado a limpo.”*
Schhh… ouve o silêncio rompido pelos dedos nas teclas, da ponta do lápis em deslize pelo papel, do desalinho das palavras na garganta; o incômodo insatisfeito de estar a todo tempo se reescrevendo, se reeditando, os ecos do [...]
Entre o sofá e a poltrona 1
Publicado em Ao pé do ouvido em Abril 26, 2008 | Deixar um comentário »
Chegou na hora marcada, pela porta aberta ao toque dirigiu os passos ao sofá. Mal sentou o outro na poltrona, sem tempo de perguntar-lhe como foi a semana, e a boca jorrou:
- Saquei! Saquei tudo! Bem que você me dizia para enfrentar minha insegurança! Agora há pouco, no caminho, vi dois velhinhos no metrô. Os dois [...]
Unificações
Publicado em De Estrada e terra em Abril 26, 2008 | Deixar um comentário »
Dá um trabalho pra lá de danado quando se inventa de fazer diferente, e o tal diferente envolve unificar. Uni ficar, ficar um, unir as partes fragmentadas. O novo às vezes chega pela sombra e pega de jeito, assalta a memória, propõe cumplicidade com suas idéias. A lagarta presa ao seu rastejo não imagina que [...]
(re)Inaugurações
Publicado em Livre de categorias em Abril 25, 2008 | Deixar um comentário »
Restartar a máquina talvez seja permitir que o bombeador sanguíneo oxigene mais seus caminhos…

